A Xiaomi começou a vender na China um SUV com teto-cama de fábrica por 299 900 yuans. E ainda: pernoite proibido em Scarborough e mês do armagnac em Landes.
Carta B: autocaravana até 4,25 t · VanLife Weekly n.º 38
Na semana passada aconteceu muita coisa no mundo das autocaravanas: a União Europeia aprovou uma regra que vai permitir conduzir uma autocaravana com peso bruto até 4,25 toneladas com a carta de categoria B, a polícia de uma vila de Ibiza aplicou 41 coimas de 30 000 euros por pernoitas em terrenos agrícolas, dez organismos chineses eliminaram o prazo de vida útil obrigatório para as autocaravanas pequenas e o homem mais rico do mundo contou que se mudou para uma caravana ao lado do seu centro de dados.
O essencial da semana passada
- A diretiva europeia (UE) 2025/2205 vai permitir que os titulares da carta de categoria B conduzam autocaravanas com peso bruto até 4250 kg e, em conjunto com um atrelado, até 5000 kg; em França bastarão cerca de sete horas de formação sem exame, e o direito ficará assinalado na carta com o código 96.02.
- A polícia de Sant Antoni de Portmany, em Ibiza, aplicou durante o verão 41 coimas de 30 000 euros cada por estacionamento e pernoita de autocaravanas e caravanas em terrenos agrícolas — as autoridades justificam o rigor com o risco de incêndios florestais.
- Em Portugal, a Lei n.º 66/2021 entra em vigor a 24 de novembro: fora das áreas protegidas, uma autocaravana certificada poderá pernoitar no máximo 48 horas no mesmo município e, nas zonas da Rede Natura 2000 e na orla costeira, apenas em locais destinados para o efeito.
- Segundo as contas do portal PiNCAMP, uma noite num parque de campismo da Turíngia fora de época custa em média 32 euros — na Alemanha só Schleswig-Holstein é mais barato, com 31 euros, e o mais caro é Brandemburgo, com 41 euros.
- Elon Musk contou na cimeira All-In que vive temporariamente numa caravana Airstreamⓘ em Memphis, ao lado do cluster de supercomputação Colossus da sua empresa xAI.
A Europa sobe o limite da carta de categoria B de 3,5 para 4,25 toneladas
Há anos que os donos de autocaravanas esbarram sempre no mesmo número: 3500 quilogramas. É o limite máximo da carta de condução de categoria B, aquela que quase toda a gente tem. Um veículo mais pesado exige a categoria C1: formação à parte, exame médico e renovações regulares, em muitos países de cinco em cinco anos a partir dos 50. A nova diretiva europeia sobre cartas de condução (UE) 2025/2205 desloca essa fronteira: na semana passada, publicações dos Balcãs e de França explicaram como o teto sobe para 4250 quilogramas precisamente no caso das autocaravanas, e que, com um atrelado, o conjunto poderá chegar aos 5000 quilogramas.
Não vai sair de graça. Para poder conduzir um veículo mais pesado será preciso fazer formação adicional ou um exame específico — cada país decide o que exigir e, nalguns casos, serão precisas as duas coisas. Na carta passará a constar uma menção própria: o código 96.02. Em França, a federação de proprietários de autocaravanas FFCC discutiu os detalhes com as autoridades rodoviárias a 9 de setembro: a tendência aponta para sete horas de formação sem novo exame, e a diretiva tem de ser transposta para a lei francesa até novembro de 2027. Por resolver fica um problema simples, mas incómodo: em que veículos formar e quem vai receber acreditação, já que as escolas de condução não têm hoje autocaravanas de instrução.
Não é que as pessoas tenham passado de repente a querer veículos maiores. As campers ficaram mais pesadas por si próprias: baterias de tração, esquentador, depósito de água cheio, painéis solares e uma garagem para duas bicicletas elétricas consomem facilmente toda a margem entre a tara e o peso bruto autorizado. O resultado é que uma família de quatro pessoas com os depósitos cheios sai muitas vezes já em sobrecarga — e isso não é só uma coima numa fiscalização, é também o risco de a seguradora começar a fazer perguntas depois de um acidente. A folga de 750 quilogramas tapa exatamente esse buraco, e os fabricantes vão quase de certeza começar a lançar versões pensadas de raiz para 4,25 toneladas.
O que isto significa para si
Se está a escolher uma camper neste momento e lhe prometem que «cabe à vontade» nas 3,5 toneladas, peça ao concessionário um cálculo com os depósitos de água e de combustível cheios, o seu equipamento e todos os passageiros — essa promessa deve estar no papel, não de boca. Se o seu veículo já pesa mais de 3,5 toneladas e conduz com a categoria C1, não é preciso mudar nada com urgência: o direito antigo mantém-se e a nova menção será apenas uma alternativa mais fácil. Se a compra está planeada para 2027-2028, vale a pena perguntar ao vendedor se o modelo vai ter versão de 4250 quilogramas — a diferença no peso bruto dos documentos conta mais do que um sofá extra. E, independentemente dos planos: passe pela báscula mais próxima e pese o veículo tal como circula de verdade. Muita gente descobre ali a verdade sobre a sua sobrecarga, e não numa fiscalização na estrada.
Em resumo
- China, apoio do Estado: dez organismos liderados pelo Ministério da Cultura e Turismo eliminaram o prazo de vida útil obrigatório das autocaravanas pequenas de uso particular, subiram-no de 15 para 25 anos nas de aluguer e de 15 para 20 anos nas caravanas. Prometem ainda construir parques de estacionamento e alargar a rede de centros de exame.
- China, mercado: as vendas de autocaravanas no país ultrapassaram pela primeira vez as 20 000 unidades num ano, com as campers compactas para viagens curtas a crescer 85,6% e os modelos elétricos e híbridos para longas distâncias 229%.
- Austrália, insolvência: a fabricante de caravanas todo-o-terreno Australian Off Road entrou em administração externa ao fim de 26 anos de atividade, apontando como causas as importações baratas da China e a cópia dos seus modelos pela concorrência. A empresa tem cerca de 4000 clientes, e quem já pagou sinal ainda não sabe se vai receber a caravana ou o dinheiro.
- Itália, dinheiro para áreas de serviço: o ministro do Turismo, Gianmarco Mazzi, afirmou em Parma que o Estado investiu 32 milhões de euros em 4375 lugares para autocaravanas — são mais de 150 projetos em 169 municípios, sobretudo em localidades pequenas, longe do litoral mais concorrido.
- Portugal, novas regras: a Lei n.º 66/2021 entra em vigor a 24 de novembro. Fora das áreas protegidas é possível pernoitar numa autocaravana certificada, mas não mais do que 48 horas no mesmo município; nas zonas da Rede Natura 2000 e na orla costeira, só em locais especificamente destinados para o efeito.
- Polónia, portagens: a 21 de setembro terminam os 60 dias desde a publicação da lei que isenta de portagem nas estradas nacionais os ligeiros com caravana atrelada acima de 3,5 toneladas — até aqui esse conjunto era contado como veículo pesado.
- Espanha, Menorca: a câmara de Ciutadella criou uma taxa de 4 euros por cada 100 litros de água na área de serviço da zona industrial, depois de detetar um consumo descontrolado no ponto de abastecimento municipal.
- EUA, novo protagonista: a Forest River, um dos maiores fabricantes americanos, entra no mercado das camper vans compactas logo com duas linhas — a Lucent, sobre base Ford, e a Sommar, sobre base Ram.
- Europa, ranking: o portal camping.info analisou o comportamento dos visitantes nas páginas de 23 000 parques de campismo em 44 países, e o mais procurado foi o austríaco Falkensteiner Camping Grubhof, em Sankt Martin bei Lofer. No top dez há cinco parques austríacos, três alemães e dois italianos.
- Alemanha, novidade: a Hymerⓘ apresentou a caravana Eriba Touring 530 Silver Edition ao estilo das «balas de prata» americanas: teto elevatório, 5,99 metros de comprimento, apenas 1300 kg de peso bruto e preço a partir de 31 500 euros.
- EUA, Wyoming: a partir de outubro entra em funcionamento no desfiladeiro de Teton o programa WY22 SAFE PASS — os condutores de autocaravanas e de veículos com atrelado acima de 10 000 libras (cerca de 4,5 toneladas) terão de fazer uma formação online sobre condução em montanha, com falha de travões e descidas acentuadas. O certificado é válido um ano e, sem ele, não se passa.
- Japão, feira: no Yokohama Camping Car Show, a 26 e 27 de setembro, vão ser expostos 163 veículos, um recorde, de 72 empresas — para o mercado japonês, onde o que mais conta é a compacidade, é um marco assinalável.
Para onde ir
Turíngia (Alemanha), outubro. A Alemanha tem fama de país caro para o campismo, mas fora de época uma noite num parque de campismo da Turíngia custa em média 32 euros — segundo as contas do portal PiNCAMP, só Schleswig-Holstein é mais barato, e em Brandemburgo pedem 41 euros pelo mesmo. Outubro é aqui a melhor altura: os faiais da floresta da Turíngia ficam dourados e há bastante menos turistas do que no verão. Ao longo de toda a serra estende-se o Rennsteig, um dos trilhos pedestres mais antigos da Europa, com cerca de 170 quilómetros, e dá jeito percorrê-lo por troços, mudando de parque de campismo de carro. A meia hora uns dos outros ficam Weimar, com as casas de Goethe e Schiller, a medieval Erfurt e o castelo de Wartburg sobre Eisenach, onde Lutero traduziu a Bíblia — por isso um dia de chuva não se perde. Se andava a adiar a Alemanha por causa dos preços, a Turíngia em outubro é a maneira mais barata de experimentar.
Atenção
- Espanha, Ibiza, toda a época: a polícia de Sant Antoni de Portmany aplicou 41 coimas de 30 000 euros por pernoitas de verão em terrenos agrícolas, e a fiscalização do conselho insular multou num único dia mais 17 tripulações em Santa Eulària. A razão de tanta dureza são os incêndios florestais provocados por cozinhados e geradores. Em Ibiza, pernoite apenas em locais oficiais: aqui, um «sítio sossegado no campo» sai mais caro do que as férias inteiras.
- Itália, Tirol do Sul, agora: a região vive a segunda vaga de fiscalizações em poucas semanas e desta vez foram detetadas 15 infrações, contra 21 no final de julho. A regra é simples: em terrenos públicos, só se pode pernoitar em autocaravana, caravana ou tenda nos parques oficialmente equipados. Se está a planear os passos de montanha das Dolomitas, trate das pernoitas com antecedência — em outubro há menos lugares livres do que parece.
- Reino Unido, Bangor (Gwynedd), nas próximas semanas: no parque de estacionamento de Beach Road East volta o limitador de altura, retirado durante as obras, e vão ser acrescentadas câmaras. Se circula pelo norte do País de Gales, não conte com este parque e veja antes o programa municipal Arosfan — a câmara reservou lugares próprios para a pernoita de autocaravanas.
- Alemanha, Berlim, agora: no recinto de uma empresa no bairro de Marzahn arderam oito autocaravanas, e o combate ao incêndio foi dificultado pela explosão de botijas de gás. Não houve feridos, mas o calor danificou os veículos vizinhos. Antes de deixar a viatura em armazenamento, feche a válvula da botija e, se possível, retire-a — numa fila de veículos encostados, o fogo passa de um para o outro em minutos.
Para terminar, algo bom
Duas histórias que dá vontade de reencaminhar.
O homem mais rico do mundo dorme numa caravana. Elon Musk contou na cimeira All-In que vive temporariamente num Airstream em Memphis — ao lado do cluster de supercomputação Colossus da xAI, cuja potência foi levada a meio do ano até cerca de um gigawatt. A explicação é exatamente a mesma de qualquer pessoa a construir casa: assim fica mais perto do trabalho. É bom saber que os milhares de milhões não mudam no essencial as condições de habitação — no fim dá sempre numa cama, uma mesa e um depósito de água.
De Cluj a Pequim de autocaravana. A família romena Hajós chegou a Pequim de autocaravana com três filhos e um cão. O obstáculo mais inesperado não foi a estrada através de meia Eurásia, mas a burocracia chinesa: um estrangeiro precisa de uma licença de cinco dias para o veículo, que não se trata online — só presencialmente e apenas em determinadas esquadras de polícia. Pelo que contam, as crianças aguentaram a viagem melhor do que os documentos.
Perguntas da semana
Quando é que vou poder conduzir uma autocaravana com mais de 3,5 toneladas com a carta de categoria B?
Não é para amanhã. A diretiva (UE) 2025/2205 foi aprovada ao nível da União Europeia, mas só começa a funcionar depois de cada país a transpor para a sua legislação. Em França, o prazo limite é novembro de 2027, e discutem-se cerca de sete horas de formação adicional sem exame. Noutros países as condições podem ser diferentes: nuns será exigido exame, noutros formação e exame. O novo direito fica assinalado na carta com o código 96.02.
Porque é que em Ibiza as coimas chegam aos 30 000 euros?
Por estacionar e pernoitar em autocaravana ou caravana em terrenos agrícolas fora dos locais oficiais. A polícia de Sant Antoni de Portmany aplicou 41 coimas dessas no balanço do verão, com base nos regulamentos municipais e na lei balear do solo rústico. Formalmente, trata-se de proteção contra incêndios florestais: cozinhar em lume aberto e usar geradores a gasolina num pinhal seco é uma causa real de fogos. A conclusão prática é simples: nas Baleares, pernoite em parques equipados e não monte nada que se pareça com um acampamento.
Onde é mais barato ficar num parque de campismo na Alemanha no outono?
Segundo os dados do portal PiNCAMP para 2026, fora de época os preços mais baixos estão em Schleswig-Holstein — em média 31 euros por noite —, seguindo-se a Turíngia com 32 euros. O mais caro é Brandemburgo, com 41 euros. Uma diferença de dez euros por noite, numa viagem de duas semanas, transforma-se em cerca de 140 euros, ou seja, num depósito cheio de gasóleo.
O que muda em Portugal a 24 de novembro?
Entra em vigor a Lei n.º 66/2021, publicada em Diário da República, sobre o estacionamento e a pernoita de autocaravanas. Fora das áreas protegidas é permitido pernoitar, mas não mais do que 48 horas seguidas no mesmo município, e o veículo tem de ser uma das autocaravanas certificadas pelo IMT. Nas zonas da Rede Natura 2000, nas áreas protegidas e na orla costeira abrangida pelos POOC, a pernoita e o estacionamento só são permitidos em locais especificamente destinados para o efeito. Onde existam regulamentos municipais próprios, são esses que valem.
O que fazer se o fabricante da caravana a que paguei um sinal fechar?
A história da australiana Australian Off Road é um lembrete de que um sinal pago ao fabricante não está garantido por nada: a empresa entrou em administração externa e cerca de 4000 clientes aguardam a decisão do administrador, que começa por acertar contas com os bancos e os trabalhadores. Dá para reduzir o risco à partida: pagar o sinal com cartão em vez de transferência, mantê-lo no mínimo, exigir prazos por escrito e acompanhar as notícias do setor sobre a sua marca. Se o fabricante já está sob administração, apresente logo a reclamação de créditos, sem esperar por cartas.
Este artigo foi preparado pela equipe editorial do OpenVan.camp. Todos os direitos reservados. Informacoes sobre direitos autorais
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